Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Póvoa de Varzim - O nome

Tentemos agora interpretar a série sucessiva de fenómenos linguísticos que se operaram na transformação da palavra “Euracini”, até ela chegar à forma “Varzim” dos nossos dias.

Temos na origem o vocábulo romano-lusitano : Euracini

O ditongo “Eu” da primeira sílaba “que em latim era raro e resultante quási sempre de contração, não se conservou na linguagem popular…” ( Elementos Gramática Portuguesa – Francisco Torrinha – Porto 1931 ).

Contudo, sendo lento o fenómeno e seguindo as suas fases naturais de desaparecimento, o grupo “Eu”, tomou a forma “U”, devido à lei do menor esforço. E temos assim a palavra Uracini.

O fonema labial-fricativo “U” em breve foi substituído pela consoante “V” do mesmo grupo (ambos sonoros) desse modo : Uracini = Vracini.

Dá-se a seguir uma interposição, em fonética chamada “Anaptixe”, fenómeno que se verifica sempre que entre duas consoantes se mete de permeio uma vogal. Por exemplo : V/e/racini.

Voltamos agora os olhos para a consoante “C=S” friacativa – dental. Deu-se aí o fenómeno do “reforço”. A referida consoante “C=S”, surda, deixou o lugar vago à sua correspondente “Z”, sonora, resultado dessa mudança a forma : Verazini.

Por sua vez a vogal final doce “I”, como palavra tendia a sonorisar-se, caiu. Temos por consequência : Verazin ou Verazim.

“N” e “M” são consoantes nasais sonoras; porém a segunda que é labial, mais suava portanto que “N” dental, foi preferida.

Verazim está, desse modo, na sua última fase. Para atingir a forma actual, esse vocábulo sofre dois fenómenos súbitos, que são :
Um, o do reforço da vogal “E” que, apesar de estar situada entre consoantes e por isso com tendências, segundo as leis da fonética, a cair, transforma-se em “A”.

Por exemplo : Varazim ( de Jusaão )

O outro fenómeno é o da “queda” do “A”da segunda sílaba. Com efeito, o povo, o eterno purificador da língua, preferiu a forma.

Varzim e não Vrazim : a primeira é mais simples de pronunciar, mais suave por consequência.

E fiquemos na forma actual Varzim : Foi obra lentra, mas natural, a transformação que se operou. Ora como já atrás ficou referido “euracini” era o senhor ou proprietário do solo em que hoje está situada, total ou parcialmente a Póvoa de Varzim. Como este há muitos mais exemplos de localidades que, em tempo remoto, foram vilas, saídas do regime agrário romano, a que os seus proprietários impunham o próprio nome, vilas estas, em geral de extensas áreas, que por evolução, se fragmentaram, chegando, porém, algumas a constituir freguesias e assim vieram à idade média.

“ A Póvoa de Varzim ( Ensaio da História desta Vila ) “
Autor : Viriato Barbosa
Depositária : Livraria Fernando Machado
Desenhos : Orlando Barbosa | 2ª edição 1972


”Póvoa do Mar”
Autor : Viriato Barbosa
Exemplar 57 de 500 | 2ª edição 1969
 
”Histórias do mar da Póvoa”
Autor : José de Azevedo
Editora : Câmara Municipal da Póvoa de Varzim | Agosto 2001
1 edição


por Jorge, Sérgio, Tiago às 12:49
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